Friday, February 03, 2006

Grito de silêncio

Lisboa está coberta por um véu de luz que me crispa o olhar triste conduzido pelas estradas escuras do meu caminho. Regresso de um dia de solitária labuta, de solitário cinema para a minha casa vazia, sem televisão, sem sons, sem nada...
"Orgulho e Preconceito" encheu-me o coração vazio. Aqueceu-me a alma como a minha botija de água quente me aquece o peito à noite quando a abraço. Quem me dera ter um Mr. Darcy a amar-me em segredo, à distância, escondido atrás da sua altivez e que me arrebatasse de paixão quando eu menos esperasse. Mas desconfio bem que os Mr. Darcys de hoje, homens de elevado raciocínio intelectual e de gostos exigentes e ou estão todos casados ou todos noutros países do mundo. Em Lisboa não vejo um único. Um único que me mereça atenção ou enlevo.
Ninguém me entusiasma ou aquece o meu intelecto. Ninguém me estimula ou me desafia para uma aventura de riscos calculados ou de quentes perseguições.
Vida simples e caseira. Casa-Trabalho. Cinema (alone). Jantares com amigas. Tabalho. Me. Me. Me. Ninguém ao redor. Nem nas imediações.
Grito em silêncio esta solidão imposta. Não foi escolhida. Apareceu por exclusão de partes.

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